Publicado em junho deste ano na plataforma bioRxiv, o estudo foi divulgado como preprint — artigo científico não revisado por pares — e está despertando inúmeras discussões tanto na China quanto no restante do mundo. O experimento teve uma taxa de sucesso baixa, estimada em menos de 4%.

Como ratos machos geraram filhotes?

No estudo, os pesquisadores, literalmente, costuraram cotovelos, joelhos e peles de pares de ratos, ou seja, um macho castrado e uma fêmea foram "conectados". Segundo os autores, isso era importante para fornecer o suprimento de sangue necessário para o desenvolvimento dos fetos.

Essa prática de juntar dois seres é conhecida como parabionte e permite que os animais compartilhem sangue. Por isso, na ciência, a parabiose é usada para estudar os efeitos da infusão de sangue de um animal para o outro. Por exemplo, a técnica pode ser feita para conectar um camundongo idoso a um jovem para estudar o processo de envelhecimento.

De acordo com o relato, seis semanas após a castração e a cirurgia, os níveis de testosterona nos ratos machos diminuíram significativamente. Depois de oito semanas, cada rato macho recebeu um útero transplantado e, depois, os embriões. Perto do período final de gestação dos ratos na natureza, os pesquisadores realizaram uma cesariana nas cobaias. Apenas 10 filhotes gestados em ratos machos sobreviveram à idade adulta. Isto é cerca de 4% dos 280 embriões implantados em ratos machos.

Este experimento é ético?

Para os pesquisadores, o experimento não foi desnecessariamente angustiante para os animais e oferece alguns insights sobre as diferentes formas de gravidez em mamíferos. Alguns cientistas comentaram que a técnica inédita pode ser o início de uma série de estudos para a gravidez de humanos de qualquer sexo.

No entanto, não está claro se o estudo foi aprovado por um comitê de ética independente — uma exigência para todos os experimentos com financiamento público chinês envolvendo animais de laboratório —, comentou o bioeticista Zhang Xinqing para a revista Nature. Se tivesse direito ao voto, Xinqing não autorizaria a pesquisa.

“É um longo caminho de qualquer implicação real [do experimento] para a pesquisa humana”, afirmou a pesquisadora australiana Catherine Mills. “Em certo sentido, não é um modelo animal; é apenas um experimento com animais", completou sobre o objetivo do polêmico estudo.

fonte: Canal Tech