A pesquisa, publicada na segunda-feira (26) no periódico "PNAS", diz que a recuperação do inseto depende de reequilibrar suas concentrações de água e sal no organismo, que saem de seu estado normal quando o animal fica num ambiente gelado.

Fotógrafos muitas vezes colocam insetos em locais gelados para que eles fiquem imóveis e permitam fazer imagens melhores. O "coma" é conhecido há mais de um século, e inclusive é um fenômeno explorado por certas espécies de aranhas para caçar animais que pousaram na neve, por exemplo.

"Insetos perdem a habilidade de manter o equilíbrio da água no organismo quando expostos ao frio. Então, quando eles estão gelados, a água e o sódio vão do 'sangue' do animal, a chamada hemolinfa, para suas vísceras", diz o cientista Heath Macmillan. "[O efeito] é ruim para o inseto, porque a concentração do potássio que sobra [na hemolinfa] impossibilita os músculos de funcionarem."

MacMillan estudou espécies de grilos e percebeu que, para que seus músculos voltassem a funcionar, os insetos precisavam reequilibrar a concentração de potássio, o que pode ocorrer em questão de minutos quando eles são retirados do frio.

Recuperar-se do "congelamento" não significa que a fisiologia do inseto voltou ao normal, disse o cientista. Seu metabolismo pode permanecer alterado por algumas horas.

O estudo é útil para prever como tipos diferentes de insetos respondem a mudanças climáticas, e pode ajudar a criar mecanismos para controlar pragas. Também serve para entender como algumas espécies "hibernam" no inverno, afirma o cientista. MacMillan pondera ainda que a recuperação do "coma" é um bom método para medir a tolerância de diferentes espécies de inseto ao frio.

Fonte: G1