"É importante enfatizar que o nome popular para esses insetos varia muito de região pra região e, muitas vezes, a mesma espécie é conhecida por nomes diferentes. No entanto, conseguimos dividi-los entre famílias: os piuns e borrachudos, mosquitinhos minúsculos cuja picada é muito dolorosa e deixa marca vermelha na pele, normalmente são da família Simuliidae. Já os mosquitos, muriçocas e pernilongos (chamados também de carapanãs) são da família Culicidae", explica o biólogo especialista em insetos César Favacho.

Entre os mosquitos mais famosos e populares estão o da dengue (Aedes aegypti), o pernilongo (Culex quinquefasciatus) e o prego (gênero Anopheles), transmissor do Plasmodium causador da malária.


"Tem ainda a família Tabanidae, das moscas popularmente chamadas de mutucas. Elas são comuns perto de animais grandes como cavalos e bois, mas também costumam ir atrás da gente se tiverem chance. A picada dói muito", completa o biólogo, que destaca ainda a família Psychodidae, dos mosquitinhos-de-banheiro e mosquitos-palha, esse último vetor do protozoário que causa a leishmaniose.

Ainda que pertençam à famílias diferentes, variem de tamanho e área de ocorrência, a maioria das espécies compartilham a mesma característica: a hematofagia (hábito de se alimentar com sangue).

“Todas as fêmeas das espécies citadas acima são hematófagas. O sangue é uma fonte rica em energia e oferece grupos de aminoácidos e proteínas necessários para maturação dos ovos; ou seja, além de fornecer todo o suporte energético para sobrevivência da fêmea, é fundamental para a viabilidade da prole”, explica o biólogo especialista em insetos, Bruno Magalhães Nakazato, que destaca outros detalhes da dieta desses mosquitos. “Apesar de serem hematófagas, na falta de uma fonte de sangue, as fêmeas vão se alimentar em locais que forneçam açúcares, como néctar de flores e seiva de plantas. Para os machos essa é a dieta exclusiva, já que eles não são hematófagos”, completa.


De acordo com Bruno, o sangue humano não possui características exclusivas que atraem as fêmeas. Na verdade, há uma série de fatores que contribuem para uma pessoa ser mais atrativa para os mosquitos. “De modo geral o CO2 da respiração, o cheiro, a transpiração e a temperatura são sinais químicos e físicos que atraem as fêmeas para se alimentarem”, diz.

“Há espécies, como o Aedes aegypti, que evoluíram concomitantemente com o ser humano e se adaptaram ao nosso modo de vida. Essa evolução foi tão específica, que há estudos que mostram preferência pelo sangue humano a de outros animais”, destaca o biólogo.

Fonte: G1